Sabe aqueles convites que fazemos com as amigas: “Podíamos marcar um café e colocar o papo em dia, né?” passam-se meses. O café fica só na lembrança... Até que, finalmente, aconteceu. Numa quarta-feira à tarde, eu e uma amiga dos tempos de escola conseguimos nos encontrar. Sem crianças por perto. Sem interrupções. Apenas duas mulheres compartilhando a vida.
Conversa vai, conversa vem, ela começou a falar sobre os desafios que vinha enfrentando e sobre o processo de autoconhecimento que estava vivendo. Eis que de forma muito espontânea, ela me disse:
Eu não tenho autoestima. Não consigo enxergar valor no que faço. Não vejo pontos positivos em mim. Agora, se você me pedir para listar meus defeitos, eu tenho uma lista enorme para te dar.
Fiquei pasma, confesso. Conheço essa mulher há mais de quinze anos! Sempre bem-vestida, vaidosa, unhas impecáveis (sério, nunca vi ela sem ter a unha feita, mesmo sem esmalte, está sempre bonita), alimentação saudável, corpo definido, alegre... Daquelas pessoas que, olhando de fora, parecem completamente seguras de si.
Eu jamais imaginaria que aquela mesma mulher não conseguia reconhecer suas próprias qualidades. Enquanto ela falava, uma pergunta não saía da minha cabeça:
Como alguém pode cuidar tão bem da própria imagem e, ainda assim, não conseguir enxergar o próprio valor?
Vivemos nos medindo pelo que fazemos, pelos resultados que entregamos e pelas comparações que alimentamos diariamente. Olhamos para mulheres cuidadosamente preparadas para aparecer nas redes sociais e esquecemos que estamos comparando a nossa vida inteira com um recorte de poucos segundos. Não vemos como aquela pessoa acordou, não vemos os bastidores da vida dela, as inseguranças, os dias difíceis, as dúvidas.
Comparamos nossa realidade com uma versão editada da realidade do outro. E essa comparação sempre será desleal. Naquela tarde, eu percebi que algumas das mulheres que admiramos, nossas amigas, primas, pessoas que convivem conosco no dia a dia, também carregam críticas duras sobre si mesmas. Sabem apontar seus defeitos com rapidez, mas se calam ou se envergonham quando precisam reconhecer aquilo que existe de bom dentro delas.
Creio que o verdadeiro autoconhecimento começa quando aprendemos a enxergar nosso próprio valor sem depender da aprovação, da aparência ou dos nossos resultados. Naquele dia, nosso "vale tempo livre" acabou, mas a conversa continuou comigo, me marcou. Afinal, quantas mulheres será que passam a vida inteira cuidando da própria imagem, sem nunca aprender a reconhecer o próprio valor?